Fui para o velório, onde iria ver pela ultima vez meu filho. Que não tinha nenhum inimigo aparente, um rapaz simples, gostava de cantavar funk, fazia alguns shows, levava alegria aos jovens de sua comunidade.Quase não saia, pois tinha uma namorada, e se amavam muito.A hora que todos passavam, eu sentada em uma cadeira na sala do velório, recebendo as pessoas que vieram nos abraçar, nos dar forças, amparo, pesamês.
Muitas familias , pais e mães das centenas de amigos e amigas do Victor. Jovens desesperados que se debruçavam sob aquele corpo inerte. Tinhamos que nos conter para que todos aqueles jovens ao nosso lado nao perdessem os sentidos. Uns queriam que ele se levanta-se. Gritavam: "Levanta Vitão!" Tivemos que arrumar a roupa em seu corpo por varias vezes. O desespero era geral! Inconformidade latente, muito visivel, e desesperador.
Sua namorada, o que podiamos dizer a ela! Uma jove de 16 anos. Que experiencia!
Eu não podia deixar todas as minhas emoçoes que eu contia no meu peito sair. Meu marido Kiko de um lado para o outro, nao pude abraça-lo para chorarmos juntos. Estavam todos a ponto de explodir , se eu exboçasse qualquer desespero diante de meu marido e meu filho Matheus, poderia ser a destruição total de uma familia. A preocupação com a minha pessoa era grande, mas graças a Deus não fui dopada e nem precisei de medicamento nenhum diante desta tragédia.
Você pode imaginar o sentimento de um pai, pela figura que ele representa em uma familia, o poder que o pai tem sobre seu filho para livra-lo do perigo . Não tem idade para essa proteção que o pai representa a seus filhos. E tudo isso vinha em minha mente, uma avalanche de pensamentos.
Meu filho Matheus, desnorteado nem conseguia chegar perto para a despedida, estava envolvido em descobrir quem era a pessoa que fez isso com seu irmão, seu coração era puro ódio. Uns o acalmava, outros botavam fogo. Tinha quem dissesse: " Ah se fosse comigo não ficaria assim", indiretamente querendo uma resposta nossa, uma atitude igual. Havia também quem comentasse : "Será que ele não fez nada mesmo." De forma maldosa , deixando no ar a ideia de que so se morre desta forma cruel quem merece. E não é bem assim !
O irmão mais velho que o acompanhava em todos os shows. O Victor so ia aos shows se o Matheus o acompanhasse, por que com ele se sentia mais seguro. Imagina o sentimento deste irmao diante de tudo isso. Tinham os mesmos gostos, nasceram no mesmo mes - Matheus dia 28/06 e Victor 30/06 - comemoravam junto seus aniversários pois tinham amigos em comum.
O que eu poderia dizer ao meu filho e ao meu marido nesta hora? "Nada!" Poderia apenas me conter para que eles nao passassem disso.
E agora? Como seria nosso fututo? Como seriam nossos dias? Como seria nossa volta pra casa definitivamente sem ele? Sofriamos muito, mas agente se conforma com que vemos. Ali , so restava o corpo, mas estava lá entre nós ainda. Diante de tudo , eu ainda sofria por antecipação, imaginando como seria.
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